segunda-feira, 29 de junho de 2009

abraço apertado


Abraço apertado
Descubro nesta floresta a clareira onde projecto criar o meu lugar. Com minhas mãos, escavo a terra, moldo o barro com que construo os tijolos. Desenho a forma, idealizo o sítio das coisas, absorvo o perfume fresco, saboreio os aromas e inspiro a minha criação. Neste pequeno espaço construo um mundo, como se fosse um Universo feito à medida da magia dos sonhos. Sei que nem sempre consegues ouvir-me como querias, sentir-me como desejarias, mas saberás sempre vir até esta clareira, no meio da floresta.

Espero, depois do anoitecer, para olhar pelo tecto do teu quarto e ver as estrelas indicarem o caminho secreto para o teu mundo. Enigma escondido entre constelações, abrigo onde me esperas e onde te encontro. Neste lugar, somos dois, ou até apenas um quando os corpos se unem num abraço. Tu, percebes em mim muito mais que eu, entendes como somos feitos dos mesmos átomos, e mesmo antes de te falar, sabes o que te digo.

Deixas-te estar, deitada a olhar, o céu profundo que até teu quarto vai para te espreitar, por entre essa janela pequena, junto ao telhado baixinho, sentes meu corpo em teu intimo, num detalhe paranormal que transcende todos os limites da nossa imaginação. Ficas ali, entre cores quentes, olhando a noite fria, e as estrelas brilhantes, distantes, mas tão perto do teu coração. E eu, detrás de ti, sentado, aconchego-te entre minhas pernas, num abraço apertado.

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